O governo brasileiro decidiu enviar a embaixadora Glivânia Maria de Oliveira para representar o país na cerimônia de posse do presidente venezuelano Nicolás Maduro, marcada para 10 de janeiro de 2025. Essa decisão ocorre mesmo sem o reconhecimento oficial dos resultados das eleições venezuelanas de julho de 2024, amplamente questionadas por suspeitas de fraude e pela ausência de transparência na divulgação das atas eleitorais.
A presença da embaixadora na posse reflete a intenção do governo brasileiro de manter canais diplomáticos abertos com a Venezuela, apesar das controvérsias em torno do processo eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por não comparecer pessoalmente ao evento, nem enviar ministros ou representantes de alto escalão, sinalizando uma postura cautelosa diante da situação política venezuelana.
A relação entre Brasil e Venezuela tem enfrentado desafios nos últimos meses. Em 2023, Lula buscou reaproximar-se do governo Maduro, recebendo-o em uma cúpula de líderes sul-americanos em Brasília, o que gerou críticas de outros presidentes da região. Além disso, esforços diplomáticos, como o Acordo de Barbados, que visavam mediar a crise política interna na Venezuela, não obtiveram sucesso, contribuindo para o distanciamento entre os dois países.
A decisão de enviar a embaixadora à posse de Maduro, mesmo sem o reconhecimento formal dos resultados eleitorais, indica a complexidade das relações bilaterais e a tentativa do governo brasileiro de equilibrar a manutenção do diálogo diplomático com a necessidade de posicionar-se diante das questões de legitimidade e transparência no processo eleitoral venezuelano.
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Fontes: Poder360, Revista Oeste, Notícias UOL, O Globo