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Esportes Toninho Cecílio

Doença do pai e perda de título: a saída de Toninho Cecílio do Palmeiras

Ainda em Avaré, ele se apaixonou ao mesmo tempo pelo futebol e pelo clube, muito por conta da da relação com o pai, Cecílio Jorge Netto.

11/11/2021 19h41
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Por: A Estância Fonte: Uol
Toninho Cecílio em ação pelo Palmeiras na temporada 1991
Toninho Cecílio em ação pelo Palmeiras na temporada 1991

A relação de Toninho Cecílio com o Palmeiras começou muito antes de ele ter se tornado jogador do clube. Ainda em Avaré, cidade do interior de São Paulo, ele se apaixonou ao mesmo tempo pelo futebol e pelo clube, muito por conta da da relação com o pai, Cecílio Jorge Netto.

 

"Desde muito cedo eu, meu irmão e meu pai escutamos os jogos no rádio. Nós três, meu pai, eu e o Michel, fazíamos tudo juntos, éramos muito unidos. E foi o meu pai que despertou essa paixão pelo futebol, nos levava para jogar no clube da cidade. Quando eu fiz o teste e passei no Palmeiras, aí ele realmente ficou muito feliz, era uma realização para ele. Então tivemos uma relação muito forte com o futebol", recorda Toninho Cecílio em entrevista ao UOL.

A chegada ao Verdão era mais do que um sonho. Em 1983, quando Toninho foi aprovado para fazer parte das categorias de base do clube, o Palmeiras já vivia um incômodo jejum de títulos. Pois a esperança de ser campeão pelo time do coração foi soterrada por uma década de equipes fracas tecnicamente —aquelas que tiveram chance para brigar e sair da fila acabaram sucumbindo.

 

A maior chance de Toninho levantar uma taça como jogador do Palmeiras, na visão dele, foi no Campeonato Paulista de 1992. Apesar de reconhecer as qualidades do São Paulo, que ficou com título e conquistou ainda a Libertadores e o Mundial, para Toninho o time do Palmeiras era competitivo o suficiente para ser campeão. Afinal, o clube tinha acabado de assinar a parceria com a Parmalat. E o time já contava com jogadores como Mazinho, Cesar Sampaio, Zinho e Evair. Só que nem mesmo Toninho tinha todas as suas atenções voltadas para aquela decisão.

 

"Meu pai teve uma doença muito grave e faleceu em 1993. Ele passou o ano de 92 inteiro com um câncer na garganta. Ele era muito meu amigo. Ia em todos os jogos. Eu fiquei muito abatido, tive um ano muito difícil familiarmente, com tudo o que aconteceu. Em 1993, já com os reforços de Antônio Carlos, Roberto Carlos e Edmundo, apareceu uma proposta do Botafogo e eu resolvi sair por empréstimo", conta Toninho.

 

Com Antônio Carlos no lugar de Toninho e Vanderlei Luxemburgo no comando, o Palmeiras foi campeão paulista em 1993, saiu da fila e voltou a ser protagonista no futebol brasileiro. O sentimento de Toninho era ambíguo.

 

"É muito ruim isso, muito ruim, porque eu era muito comprometido com o clube, eu queria muito aquele título, mas ao mesmo tempo eu também sei que o futebol apresenta este tipo de situação. Eu fiquei feliz pela conquista, eu torci pelo clube, pelos colegas que ficaram. Mas meu pai passou os últimos dois meses sem querer ver tv, ler jornal, nada. Dia 17 de julho de 1993 o meu pai faleceu. Então foi um momento difícil da minha vida pessoal", recordou Toninho. Cecílio Jorge Netto veio a óbito exatamente um mês e cinco dias depois de o Palmeiras encerrar o jejum de 16 anos sem gritar campeão.

 

A saída do Palmeiras serviu para mostrar a Toninho outra realidade do futebol pelo Brasil e serviu para que forjasse o que seria a carreira depois de pendurar as chuteiras, quando virou técnico e depois executivo de futebol, cargo que passou a ocupar recentemente na Portuguesa.

 

"Foi muito diferente, foi muito estranho em primeiro lugar. Na minha ida para o Botafogo eu pude ver o quanto o Palmeiras é organizado. Isso só se reforçou com toda a minha carreira de treinador e gestor. O Palmeiras era e se mantém um dos clubes mais organizados do Brasil. O jogador que estiver lá precisa respeitar bastante e valorizar a chance que tem. Essa diferença hoje não existe, mas na época existia muito. Apesar de eu ter jogado apenas um Campeonato Carioca porque eu era emprestado, mas eu fui bem recebido, me relacionei bem com a torcida, foi tranquilo. Eu gosto muito do Botafogo também", finalizou Toninho, que Cruzeiro, Fortaleza e Paulista de Jundiaí, antes de virar técnico e dirigente.

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