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5 pintoras que marcaram a história da arte brasileira

Djanira foi a primeira mulher latino-americana a ter uma de suas peças expostas no Museu do Vaticano

04/04/2020 00h35
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Por: A Estância Fonte: Por Mayk Souza
5 pintoras que marcaram a história da arte brasileira

O mercado artístico, historicamente, era um espaço dominado pelos homens, as mulheres que ousaram a ocupar esse campo, demoraram muito para receber o seu devido reconhecimento e ter suas obras aceitas. Durante um longo período, as atividades destinadas ao sexo feminino, estavam relacionadas aos afazeres domésticos. Mesmo com a liberação do acesso à escola, as disciplinas voltadas a elas não tinham o mesmo caráter técnico, dos grandes centros acadêmicos.

As artistas que tinham o desejo de aperfeiçoar sua técnica e expor em galerias de arte, precisavam contratar professores particulares ou viajar para o exterior, onde existia um cenário mais receptivo para o talento e sensibilidade artística feminina. Apesar de toda a dificuldade, algumas pintoras brasileiras conseguiram sobressair, e cada uma da sua forma abrir caminho para que atualmente todas as artistas possam criar e expor sua obra livremente, com o reconhecimento merecido.

Que jamais esqueçamos essa mulheres que contribuíram para o fortalecimento e reconhecimento da arte brasileira. Selecionamos algumas destas grandes artistas que fizeram a diferença.

Abigail de Andrade foi uma das primeiras artistas brasileiras a receber uma premiação por sua obra. Nasceu na cidade de Vassouras, no interior do Rio de Janeiro no ano de 1864. Estudou desenho no Liceu de Artes e Ofícios, um ano após decreto que liberava a frequência de mulheres nas  escolas.

Na época, só os homens tinham o direito de estudar na Academia Imperial de Belas Artes, instituição mais conceituada no ensino de arte no país. Por esse motivo as mulheres eram consideradas amadoras.

Em 1884, a artista foi premiada na Exposição Geral de belas artes. Recebeu a medalha de ouro de 1º grau por duas obras, O cesto de compras e um canto do meu ateliê.
Foi a primeira vez no país que uma mulher recebeu o mais alto reconhecimento na mostra.

Apesar da sua importância no cenário artístico, o nome da pintora esteve praticamente ausente dos livros de história e dicionários de artes plásticas no Brasil. Segundo a análise da pesquisadora Ana Paula Simioni, o fato pode esta relacionado com a sua bibliografia e morte prematura.

O seu nome foi mencionado pelo pintor e historiador da arte Theodoro Braga, que lista os poucos estudos publicados a respeito de Abigail de Andrade no livro Artistas Pintores do Brasil, de 1942.

Algumas de suas obras: A Hora do Pão, O Cesto de Compras, Um Canto no Meu Atelier, Estendendo roupa, Dama no Espelho e o Pianista.

Djanira da Motta e Silva nasceu em Avaré, São Paulo, em 1914. Descendente de imigrantes austríacos e neta de índios guaranis. Foi aluna dos pintores Milton Dacosta, Emeric Marcier e frequentou o curso no Liceu de Artes e Ofícios.

Sua obra reproduzia de maneira singela e poética as paisagens brasileiras, por meio do estilo de arte primitiva, com linhas e cores simplificadas. A artista retratava cenas diversas em suas pinturas, como festas folclóricas, religiosas e o cotidiano da vida rural.

Djanira foi uma das principais representantes da arte naïf no Brasil, sendo considerada uma das artistas plásticas brasileiras mais famosas de todos os tempos.

A pintora foi a primeira mulher latino-americana a ter uma de suas peças expostas no Museu do Vaticano, com a obra Sant’Ana de Pé. Em 2019 o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) fez uma retrospectiva do seu trabalho.

Algumas de suas obras: Três Orixás, Largo do Pelourinho, Casa de Farinha, Madona com Guirlandas Floridas, Trabalhador de Cal e Músicos. 

Beatriz Ferreira Milhazes nasceu no Rio de Janeiro, no ano de 1960. Pintora, ilustradora, gravadora e professora. A artista iniciou-se em artes plásticas em 1980, quando ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Onde posteriormente assumiu o cargo de professora e coordenadora de atividades culturais. 

A artista começou a ganhar destaque a partir dos anos 90, em mostras internacionais pela Europa e Estados Unidos. Com obras coloridas e vibrantes, que misturam técnicas da Pop Art com o artesanato. 

Suas obras conquistaram espaços em acervos de vários museus, como o  Museum of Modern Art (MoMa), o Guggenheim e o The Metropolitan, em Nova York.

Beatriz Milhazes é uma das artistas plásticas brasileiras mais reconhecidas e valorizadas no Brasil e no exterior. 

Obras como O Mágico (2001), O Moderno (2002) e o Meu Limão foram leiloadas por valores acima de um milhão, o que reforça a valorização da artista. 

Anita Catarina Malfatti nasceu em São Paulo, 1889. Uma das grandes artista brasileiras, pioneira nos movimentos mais importantes da história da arte do país, como o modernismo e o Cubismo. 

A grande artista tinha atrofia congênita no braço e na mão direita, por isso utilizava a mão esquerda para criar. Iniciou seus estudos com a mãe Eleonora Elizabeth Malfatt e posteriormente estudou na Europa. Passou pela Academia Imperial de Belas Artes, em Berlim, e estudou com Fritz Burger-Mühlfeld, Lovis Corinth e Ernst Bischoff-Culm.

No Brasil participou do “Grupo dos Cincos”, juntamente com Mário de Andrade, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia. Os artistas defendiam uma mudança no panorama artístico-cultural do país, reforçando as ideias da Semana de Arte Moderna.

Anita expôs suas obras em vários lugares do mundo. Com um estilo que visava a diversidade, pintava cenas do cotidiano, com uma imensidão de cores vibrantes. 

A artista também foi professora, ilustradora, desenhista e gravadora. Suas principais obras foram: “A boba”(1916), O farol (1915), Estudante Russa,1915,A Mulher de Cabelos Verdes, 1916, O Homem de Sete Cores (1916), Samba (1943-45)

Tarsila do Amaral nasceu em Capivari, São Paulo no ano de 1886. Sua paixão pelo mundo das artes desabrochou em sua estadia em Barcelona, período em que freqüenta o colégio Sacré Couer. Desta descoberta surge o seu primeiro quadro, a obra “Sagrado Coração de Jesus”. 

Mas foi em 1916 que começou a aprofundar seus estudos em artes. Teve a oportunidade de aprender com conceituados artistas como  William Zadig, Mantovani, Pedro Alexandrino Borges,  George Fischer Elpons e os cubistas Lhote e Gleizes. Frequentou também Academia Julian, e a Academia de Émile Renard, em Paris.

Tarsila foi sem dúvidas uma das mais importantes pintoras modernistas do Brasil. Como já foi citado, fez parte do Grupo dos Cinco, juntamente de sua amiga Anita Malfatti. Suas obras eram inovadoras e criativas. 

Após viajar por vários lugares no Brasil, deu início a sua fase “Pau-Brasil”, composta por obras que apresentavam cores fortes e temáticas relacionadas ao país, como a riqueza da fauna e da flora.
Algumas obras deste período: O Postal (1928), A Feira (1924), Morro da Favela (1924), A Estação Central do Brasil (1924).

Mas foi durante sua fase Antropofágica, que a artista criou sua obra mais famosa, o Abaporu, em 1928. A tela inaugurou o movimento antropofágico dentro do modernismo brasileiro.

Na mesma época, Tarsila pintou também a peça O Ovo, que também ganhou fama internacional.

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