Solidariedade

Voluntários viram 'médicos' e tratam de pacientes em hospitais com sorrisos e abraços: 'Objetivo é transformar'

Com música, conversa e risadas, grupo Doutorlhaços transforma ambiente hospitalar há 11 anos, em Avaré (SP). Projeto vai além do riso e também auxilia pacientes em questões como o luto e suicídio.

19/10/2019 10h18Atualizado há 4 semanas
Por: A Estância
Fonte: G1 Itapetininga e Região
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Grupo Doutorlhaços faz visitas a pacientes de hospitais em Avaré (SP) — Foto: Doutorlhaços/Divulgação
Grupo Doutorlhaços faz visitas a pacientes de hospitais em Avaré (SP) — Foto: Doutorlhaços/Divulgação

Vestidos com jalecos brancos, um grupo de voluntários de Avaré (SP) tem “curado” pacientes de hospitais com apoio, abraços e sorrisos há 11 anos. Em vez de estetoscópio, os Doutolhaços usam maquiagem, chapéus e nariz de palhaço.

Eles caminham semanalmente pelos corredores da Santa Casa e, por meio da música, conversa e piadas, transformam o ambiente hospitalar.

O Dia do Médico é comemorado nesta sexta-feira (18) e o G1 conversou com integrantes do Instituto Doutorlhaços sobre o trabalho de transformar o dia dos pacientes.

 

 Mais de 80 voluntários fazem parte do Doutorlhaços — Foto: Doutorlhaços/Divulgação

De acordo com Luciana Carozzi, médica veterinária e presidente do Instituto, o projeto vai além do riso e aborda também questões como o luto e o suicídio.

“O nosso objetivo é transformar a área da saúde e ajudar os pacientes em assuntos que são pouco discutidos. Muita gente acha que o trabalho de palhaço hospitalar é fazer graça e levar alegria, mas é algo muito mais profundo. Trabalhamos com o luto, dor, perda, medo. É algo desafiador e precisamos transformar o olhar das pessoas que estão no hospital”, afirma.

Em relação à figura do palhaço, Luciana diz que ela permite que os pacientes se envolvam e se abram com mais facilidade.

“O palhaço permite que o paciente deixe a gente se envolver neste momento da vida dele. Se eu fosse ao hospital como Luciana, eu não conseguiria causar a mesma transformação que a Dra. Zinha.”

No entanto, para se tornar um Doutorlhaço é necessário que o interessado passe por um treinamento de oito semanas, onde são abordados temas como higiene e como se portar dentro de um hospital. Em seguida, os voluntários recebem certificados e estão aptos a realizar o serviço.

 

 Jornalista Natália Lemos participa do projeto há mais de um ano — Foto: Doutorlhaços/Divulgação

A jornalista Natália Lemos passou por todo o processo e é a Dra. Narizinho há um ano e meio. Para ela, o projeto torna o ambiente hospitalar mais leve e também transforma os voluntários.

“Desde minha primeira visita eu fui transformada. É claro que quando entramos naquele ambiente, percebemos que é uma situação difícil, mas depois disso eu parei de reclamar da minha vida, passei a prestar mais atenção nos outros e percebi a importância da gente se doar.”

Natália conta que uma das visitas que mais mexeu com ela foi na véspera do Natal, quando pensou nos pacientes que não teriam a oportunidade de passar a data com as famílias.

 

“Se a gente doa uma roupa, no mês seguinte a gente consegue comprar outra, por exemplo. Mas nada paga quando doamos nosso tempo, isso é o mais lindo do projeto. A gente doa nosso tempo”, afirma.

 

 Voluntários se dividem em grupos para visitar alas de hospital em Avaré (SP) — Foto: Doutorlhaços/Divulgação

‘Como é grande o meu amor por você’

 

Os Doutorlhaços se dividem em grupos para visitar as alas do hospital, começando sempre pela maternidade e pediatria.

Além de sorrisos, nas visitas os voluntários conseguem distribuir palavras de otimismo, apoio e até emoção.

“Uma das visitas mais transformadoras para mim foi para um senhor que ficou por um mês internado e ele sempre estava sozinho. Ele não falava, estava imobilizado e só reagia com o olho. Todos os finais de semana de visita, cantávamos ‘Como é grande o meu amor por você’ e ele sempre se emocionava. Foi gratificante”, diz.

 

“É um processo de transformação a partir do momento que você entra em um quarto. Às vezes a pessoa só precisa de um abraço, uma palavra de conforto para que a ela desperte um sorriso.”

Voluntários visitam semanalmente a Santa Casa de Avaré (SP) — Foto: Doutorlhaços/Divulgação

 

 Luciana Carozzi é a presidente do Instituto Doutorlhaços; ela é a Dra. Zinha no projeto — Foto: Doutorlhaços/Divulgação

Como participar?

 

Para fazer parte do projeto e ajudar a distribuir alegria, é necessário que o interessado entre em contato por meio das redes sociais do Doutorlhaços, onde são divulgados os períodos de inscrições para a Escola de Formação.

Segundo a presidente do Instituto, o está grupo reunindo recursos para fundar a sede do Doutorlhaços por meio da venda de camisetas e ingressos para um jantar beneficente que será realizado no dia 31 de outubro.

 

Voluntários passam por treinamento de oito semanas em Escola de Formação — Foto: Doutorlhaços/Divulgação
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